terça-feira, 17 de outubro de 2017

Quem não gosta de se sentir amado de fato deve está equivocado
Aquele velho sentimento de que se importa
No seu prazer anda atento, mantendo aberta a porta
Quem não gosta de ligação inesperada no meio do dia
Levar aquela comida predileta na quentinha
Quem não gosta de filme embaixo do cobertor
E se ficou chato..hora de fazer amor
Quem não gosta de contar besteira
Falar asneira e beijar até dá suadeira
Quem não gosta de dançar agarradinho
Fumar um fininho
Fazer denguinho
Quem não gosta de ter colo pra chorar
Ajuda pra levantar, quando preciso, desabafar
Quem não gosta de abraço acolhedor
Cheiro no cangote
Sexo quente pra te deixar mais forte
Sonho sonhado junto
Plano de casa no mato
Menos asfalto
Quem não gosta de poder dizer o que se sente
Sem ficar tramando planos mirabolantes na mente
Quem não gosta de companhia nas tardes frias
Ver mais cores, sabores, magias
(...)
[ Pensamento Dançante. 8 de agosto, 2017 ]

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Flutuo, pulverizo
retomo caminho
tomo um gole de coragem
fumaça de cores e paisagem
me projeto, revelo
repito: não nos faça de objeto!
crio narrativa antiga
olho meu vente
encontro umbigo e também barriga
fecundo gerações
choro quando sofro
iluminadas canções
não sei de nada
não sou de nada
experimentação inacabada


(Julho, 2017)

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Não tive

Está no leito
Quarto branco
Ouço lamento
Judiação maior não tem
Telenovelas de partos
Anestesiada
Sonolenta
Sozinha
Poesia espacial
Perturbação mental

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

samba

Se em toda imensa beleza há tristeza
Reconheço-a, vivo-a
Canto somente o que pulsa
Digo o que se pede
Respiro o agora
Calo-me diante do infinito do que sou
Hoje apenas estou
no amor, na dor
no samba de quem me coroou

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Fazemos revolução

Presta atenção
Na tensão
Desagua tesão

Líquido efeito dos seus dedos
Em minha boca moram seus medos (?)
Na sua...... seios

Respiração
Repouso meu corpo sobre o seu
Fricção

A música que toca
Tá dentro, tá fora
Tá dentro, tá fora
Tá na multidão

Suspiramos
Mergulhamos
Na sala fazemos revolução

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Me podaram


Me podaram
Continuo com raízes profundas quebrando cimentos e invadindo ruas
Me podaram
Continuo flexível para não ser quebrada, embora envergue facilmente com ventanias pequenas
Me podaram
Continuo dando frutos, embora custem a surgir, são os mais doces!
Me podaram
Continuo crescendo em busca do sol para realizar minha fotossintese diária
Me podaram
Continuo bonita, embora muitos não se importem em respeitar e compreender minha beleza
Me podaram
Continuo soltando as folhas secas e permitindo que a terra as transformem em alimento para mim e para outros seres que me envoltam
Me podaram, e eu ?
Continuo árvore

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

"Tava só esperando ele meter a mão nela pra chegar lá"


Estava perto do farol da barra ontem a noite, por volta das 20:30 e escutei uns gritos de mulher, de primeira achei que fosse no mar, já que é comum as pessoas ficarem por lá brincando. Depois continuei escutando e identifiquei "você tá me machucando", fui na janela novamente e lá estava um homem alto e aparentemente "forte" segurando uma mulher mais magra e menor que ele pelo pulso e braço. Meus olhos não acreditaram naquilo, dei um grito da janela " ô rapaz ", mas não foi o suficiente para mais de meia duzia de outros homens que estavam dividindo a mesma calçada da cena e os que estavam de passagem, se manifestarem. Desci imediatamente para intervir e ajudar a mulher que estava chorando inclusive. Cheguei perto e disse " Largue ela agora! " Ele virou me pegou pelos braços muito forte e disse que eu era uma estranha e que não entendia o que estava acontecendo. Eu olhei nos olhos dele, mesmo ele desviando o olhar, e mandei ele me soltar. Ele frouxou as mãos mas continuou tentando me explicar que ela era namorada dele e que sempre fazia isso, me empurrando...Eu disse que não importava o motivo e que ele ia deixar ela ir pra casa pra depois conversarem. Claro que naquele momento eu fiquei com vontade de dá um murro na cara dele, mas tentei ser o mais inteligente possível, mesmo porque eu não sabia do que era capaz o sujeito, mas já nesse momento meu companheiro e outro homem estavam intervindo. A menina agredida continuou chorando e eu fui atrás dela para tentar de alguma forma assistência-la. Me disse que havia batido a cabeça, que ele a deixou sozinha por meia hora e que agora tava querendo que ela acreditasse em alguma coisa, não entendi direito a história, mas não podia segurá-la. Apenas disse pra ela tentar se acalmar e ir pra casa, não deu tempo nem de oferecer um táxi porque enquanto ela corria pra outra direção, dois policiais chegaram altamente despreparados puxando arma(símbolo máximo da IMPOTÊNCIA militar) na minha e na frente de todos que estavam por perto, colocando nossa segurança em risco. Então fui me afastando e perdi a moça de vista. Saí esbravejando que precisava eu sozinha descer e separar o cara da menina, que o que eles acreditam ser masculinidade não existe e não serve para absolutamente NADA! Fiquei observando de longe e logo depois que o cara falou algumas palavras eles o liberaram e nem foram atrás da vítima confirmar ou assistência-la, ainda que minimamente, era obrigação deles!!!! Acredito que esse "casal" estava acompanhado de alguns amigos que apareceram depois, mas até o homem que tentou ajudar quando eu intervi disse: "tava só esperando ele meter a mão nela pra chegar lá". COMO ASSIM? Eu entendo as mulheres terem medo de se posicionarem em uma cena como essa, mesmo porque somos ensinadas e coagidas a acreditar que somos fracas e frágeis, mas vários homens juntos não se importam nem pra dizer "ô cara, relaxa.." e só ajudam quando aparece um roxo no olho, uma costela fraturada, é isso? O resto todo não é violência? É tranquilo ainda né, afinal, em briga de marido e mulher não se mete a colher. Eu tenho nojo do homem que agrediu a menina, assim como tenho nojo de todos aqueles que não mexeram e nunca mexem um dedo para diminuir a estatística de violência contra mulher no Brasil. Se não há lugares seguros nem pra gente transitar sem sermos assediadas e ameaçadas por estes homens, se não há lugar seguro para nós, mulheres, não haverá lugar seguro para vocês nos violentarem mais também!! Vou me meter, iremos nos meter, porque o problema é NOSSO. Não tenho medo de homem impotente!! Sempre tento ser estrategista e pacifica nos meus dias, nas inúmeras conversas que tenho com os que acham que estão me elogiando na rua, simplesmente não abaixo mais minha cabeça. Não abaixem a cabeça de vocês também! Não me peçam pra ter cuidado, nem me ofereçam méritos, fiz o que tinha que ser feito, o mínimo. Prefiro sair apanhada do que deixar uma irmã ser violentada na minha frente e não fazer nada.
Seguimos.