quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Golpes

Ando cansada
De tanto sangue derramado
Dos nossos corpos por aí estirados
Dos inúmeros corações dilacerados
Ando cansada
Dos meus irmãos lotando as cadeias
Dos que não fazem nada de mãos tão cheias
Ando cansada
Da sua piada racista
Do seu discurso fascista
Ando cansada
Meus santos não são respeitados
Minhas ancestrais deixadas de lado
Ando cansada
Da culpa ser minha, dela e da vizinha
Da roupa, da festa ou por estar sozinha
Ando cansada
De tantos golpes

Minhas lágrimas não serão em vão
Que acalme, que lave toda essa podridão
Ando cansada,
mas nunca estive tão FORTE


[15 de julho, 2017]

Janela

Olhei pela janela
Percebi minha pequeninez
Vi minha arrogância refletida no espelho
Deixei a luz penetrar nos fios dos meus cabelos
Aqueci meus ossos, minhas memórias
De um tempo que os abraços eram afagos diários
Necessários
As preocupações eram retiradas com um pacote
de bolacha recheada
Dói crescer...não me reconheço nessa adultez
seca e cinza
Nessa esperteza que parece explicita
A ingenuidade...ela é criminosa
Tem crustáceos na minha pele
Nossos corpos querem se manifestar,
queremos manifestos vivos!

[ Pensamento dançante - 25 de julho, 2017 ]
Suspiros
Arrepios
Risos frouxos
Relógios quebrados
Tremiliques
Suor
Músculos contraídos
Sonhos intermináveis
Sonos tranquilos
Abraços verdadeiros
Cores
Sabores
Cheiros
Emergir
Fugir
Reencontrar

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Sujeito ainda oculto nós

Pedi 3 palavras sem tetubiar
Intuitivamente fez-se presente a liberdade de conectar versos de dúvidas

Deriva gramaticalmente meus olhos ansiosos de afago e admiração. Tesão.
E se tem fome de tudo, porque aceita o tanto que não te sacia? 
Letra por letra em oração sem objeto faz direto o verbo de disritmia

Transitivo silêncio que de longe assusta pela memória adjetiva da surpresa em sintonia
Acelera as batidas que pela boca quase fogem assentos agudos e caligrafias radioativas 

Complemento o predicado: O relógio parado por duas horas não seria suficiente para regarmos o semiárido 
dos advérbios inflexonados 

Se adjuntam nos artigos, pronomes e nomes do meu peito 
E pra tentar dormir, deságuo devaneio

Análise morfológica da sua respiração dentro de mim fará brotar vegetação nova? Futuro preferido
Em síntese,  geograficamente parecemos substantivos perdidos, 
mas mandacaru quando fulora é sinal de se avexe não

Quem mandou cê me seguir..

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Não tenho modos para o amor

Não tenho modos para o amor
Definitivamente
Não sei fazer jogos
Quando quero, quero logo
Não sei dosar
Tudo quero misturar
Fragilidades são encantadoras
Como a imensidão do mar
Descobrir, emergir
Redimensionar
Não tenho tempo pra tantos "nãos"
Casa comigo essa noite, segura minha mão
Tá todo mundo cansado
Tem que ser, tem que comprar, tem que pagar
Deixa a corrida pros carros lá fora ecoar
Capitalismo colonizador
Temos hora marcada pra fazer amor
E até pra sentir dor
E quando estamos exaustos de um dia todo de trabalho
Do suor derramado, do tic-tac abominado
Definitivamente
Não tenho modos para o amor
( 5 de setembro, 2017)

Quero ficar nua

Quero ficar nua
Do meu ego que é cego
Quero ficar nua
Da sua malicia vazia
Quero ficar nua 
Não é pra vc aquela siririca
Com pelos ou sem
Quero ficar nua
Do seu olhar ofensivo
Quero ficar nua
Fetichismo? este gozo não será submisso!
Meu ventre ferido
Invadido da acidez dos seus
Jamais abaixarei a cabeça pro seu deus
Os mamilos que te alimentaram
Continuam sendo só meus
Quero ficar nua
Não estamos pedindo permissão
Legitimação ou opinião
Quero ficar nua
Somos a própria criatura
O assunto? Não é elaboração do seu tesão
Quero ficar nua
Quero minha companhia
Rasgarei suas roupas
Amarras
Mentiras
Falsas conquistas!
[ Pensamento dançante - 28 de agosto, 2017]
Escutar
Com os olhos
Com o coração
Com o silêncio
Com o abraço
Com a ausência