quarta-feira, 11 de julho de 2018

Pode vim
Mas vem atento
Não às frases que podem ser ensaiadas
Nem narrativas que se vestem do que já foi
Venha cru
Despido
Gaguejando
Sem perfume de vitrine
Sem cerveja
Sem canudo
Bebe!
Bebe e tenta descobrir o gosto
Em goles tomados de lábios pequenos e grandes
Impregne todas as papilas
Choque de sinapses em mil neurônios
Chegue ao estômago
Que alimente
Memórias, clichês e anseios
Aqueça-os, devaneios
Não projeta sobre a minha pele
Morada vazia
Não importa por quantos dias
Sistema nervoso periférico lhe envia sinais
Não tem controle que cesse harmonia orgânica
A gente inventou tudo...
Gozei tentando não fechar os olhos só pra enxergar
sua pupila e os desenhos que se formavam no escuro
Não quero sua alma tranquila
Quero respirar suas contradições
Sugar seus medos segurando forte
No vai e vem com as duas mãos
Chega atento ao menino que mora lá
E te convida a esquecer do relógio
Deixa ele te convencer que o ralado no joelho
Vale a pena quando se pode
Voltar a brincar de sentir com o corpo todo
Se for assim,
Pode vim

domingo, 8 de julho de 2018

Seus

Entrarei pela frente
Pelo ar
Pelos poros
Pelos átomos
Sucumbirei teus muros
Arrogantes e solitários
Treparei sem medo
No resto de vida
Tuas fechaduras são
Fragilidades não cuidadas
Limites seus!

D2

Moço bonito
Solto da frio por debaixo do umbigo
Embalo meu côco
Tamanco, tremilico
Na roda da minha saia
Embolo um ponto de jongo
Não me omito

Deixa de xaxo
Que no xamego do meu cabelo enrolado
Te afago
Faço seu xaxado
Num abraço arrochado
Virar baião de dois

Mexe comigo
Que eu mexo com vc
Mexo com vc
Mexo com vc...

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Feriado nos seus passos

Desmarco qualquer compromisso 
Pra escutar mais um vez baixinho seu gemido
Pra olhar mais uma vez seus olhos apertados de fumaça
Pra sentir suas mãos grandes descobrindo
as nuvens do feriado já ensolarado
Esqueci de me proteger do calor úmido amanhecido
Tive sonhos familiares e acordei de um quase pesadelo 
no encostar da sua respiração no meu pescoço, ainda bem
Ansiedade foi desaguando...
Acho bonito essa coisa de se conhecer 

com curiosidade e sem medo de "ter que..."
Acho bonito quando não tá pronto e nem tem pressa de ficar
Perdi um pouco de lucidez no seu cangote

Descolori versos em silêncio no por-do-sol
Descompassei pupilas e respirações
Dilatadas e macias
Ritmei gozo
Por cima virei
líquido 
nosso

Exigente gostar


Só gosto de beijo que acelera o coração
Só gosto de sexo que tem beijo calmo
Só gosto de conversa que tem olho no olho
Só gosto de abraço que não tem pressa de acabar
Só gosto de carinho que arrepia a espinha
Só gosto de medo que é revelado
Só gosto de me misturar por inteiro
Só gosto de mim quando me sinto do meu próprio lado
Por enquanto,
pouco não me satisfaz

domingo, 6 de maio de 2018

Vocês, homens, tem certeza que gostam de sexo?

Vou meter, meter, meter, meter o verbo!
Alguém já lhe disse que metidas descompreendidas
Jamais serão melhores que nossas siriricas?
Cuspe, molha, pre-pa-ra
Que tal carícias que excitam ao invés desse clichê de saliva?
Lubrifica a ação, nosso clitóris, único órgão construído pro prazer presente
Sente? Ou não sabe nem onde é o ponto incandescente?
Respira! 3 vezes mais terminações nervosas que a cabeça de sua pica.
Mamílos, pescoço, pé, boca, barriga, coxas, bunda, língua
Reconvexo!
Vocês, querem só gozar? Mostrar que estão eretos?
Vocês, homens, tem certeza que gostam de sexo?
E quando encontram mulheres que tem clareza: ameaça!
Desfaça, jogo de masculinidade, falsa prosa, descasca
Puta e vadia se não te quer ou em vc não ver graça
Zona erógena é corpo todo, desgraça!
Agora sabem: serão escolhidos, observados, como nós sempre fomos no passado
Não adianta nada sua desculpa de desejo se é egoísta machista
Frases de engate, insistências, conosco agora: a malícia!
Por obséquio, reflita: aqui não tem figurinista
Gritarei aos 4 cantos: Mulheres não permitam!
Não finjam!
Tomem as rédeas, fiquem por cima
Dá a real, não poupa rima, é por mim e por elas
Não seremos mais insubmissas!

Gozadas multifacetadas na sua cara.








segunda-feira, 23 de abril de 2018

Outro lado da linha

Numa noite chuvosa
A gente se enrola
Onda frenética
De contrações maravilhosas
Roça corpo
Morde boca
Molha dedo
Sujeito suspeito
Do outro lado da linha