terça-feira, 8 de agosto de 2017

Flutuo, pulverizo
retomo caminho
tomo um gole de coragem
fumaça de cores e paisagem
me projeto, revelo
repito: não nos faça de objeto!
crio narrativa antiga
olho meu vente
encontro umbigo e também barriga
fecundo gerações
choro quando sofro
iluminadas canções
não sei de nada
não sou de nada
experimentação inacabada


(Julho, 2017)

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Não tive

Está no leito
Quarto branco
Ouço lamento
Judiação maior não tem
Telenovelas de partos
Anestesiada
Sonolenta
Sozinha
Poesia espacial
Perturbação mental

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

samba

Se em toda imensa beleza há tristeza
Reconheço-a, vivo-a
Canto somente o que pulsa
Digo o que se pede
Respiro o agora
Calo-me diante do infinito do que sou
Hoje apenas estou
no amor, na dor
no samba de quem me coroou

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Fazemos revolução

Presta atenção
Na tensão
Desagua tesão

Líquido efeito dos seus dedos
Em minha boca moram seus medos (?)
Na sua...... seios

Respiração
Repouso meu corpo sobre o seu
Fricção

A música que toca
Tá dentro, tá fora
Tá dentro, tá fora
Tá na multidão

Suspiramos
Mergulhamos
Na sala fazemos revolução

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Me podaram


Me podaram
Continuo com raízes profundas quebrando cimentos e invadindo ruas
Me podaram
Continuo flexível para não ser quebrada, embora envergue facilmente com ventanias pequenas
Me podaram
Continuo dando frutos, embora custem a surgir, são os mais doces!
Me podaram
Continuo crescendo em busca do sol para realizar minha fotossintese diária
Me podaram
Continuo bonita, embora muitos não se importem em respeitar e compreender minha beleza
Me podaram
Continuo soltando as folhas secas e permitindo que a terra as transformem em alimento para mim e para outros seres que me envoltam
Me podaram, e eu ?
Continuo árvore

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Certos tipos de "elogios" desconstrua já ou cale-se para sempre


Desde quando eu comecei o processo de assumir e me divertir com minha juba, a quantidade de olhares, perguntas e certos elogios se multiplicaram.
A parte mais legal de todas e que sempre me emociona é quando participo diretamente da transição capilar de meninas/mulheres, em especial das pretas. Não há nada mais gratificante pra mim, do que ver essas mulheres com outro brilho nos olhos, se amando mais, se sentindo preta, poderosa e linda. Mas entre os "elogios" que recebo já escutei algumas vezes por pessoas desconhecidas, semi-conhecidas e conhecidas que em MIM combina esse cabelo porque meu cacho é mais solto, ou pior, que apesar de eu ter um bocão, ainda preservo traços finos no rosto por isso fica bem. Já disseram até que adoram meu black (??). Essas coisas todas não são elogios, são expressão de racismo! Não quero ocupar o lugar de exótica, não dessa maneira. É como se eu tivesse licença pra ter características de mulheres negras porque sou branca. Isso me dói bastante e fico muito triste em escutar esse tipo de coisa, não me sinto nem um pouco mais bonita. E se dói em mim que apesar de ter crescido na influência dos caboclos e guias da minha vó, por tocar maracatu, por ser muito bem vinda em lugares de resistência negra em geral, imagine na cabeça das meninas que não tiveram a chance ainda de construir sua auto-estima, de se ver bonita, de se ver negra. Sofro muito com o racismo, mas pelo simples fato de ter nascido com a pele branca, nunca irei saber o que é sofrer racismo. Se atentem nas brincadeiras e nesses "elogios" porque reconhecer meu lugar de privilégio foi fundamental para perceber como é sutil e delicada a construção do empoderamento das mulhereS que me cercam.

A era das rainhas, das leoas, das pretas multi-coloridas CHEGOU!

Nota de desabafo:

 Entre as milhares de possibilidades que um homem tem de combater o machismo achar que pode ter a prepotência de ensinar a uma de nós como DEVEMOS nos posicionar a partir da sua fala é carimbar seu selo de idiota arrogante. Sim, acredito nas boas intenções, na ingenuidade, na falta de senso em saber que não falamos do mesmo lugar, na própria falta de conhecimento e vivência, no não praticar o exercício de se reconhecer como privilegiado (querendo ou não), enfim... entendam de uma vez por todas: TOD@S NÓS podemos lutar contra qualquer tipo de opressão, mas não é se colando como protagonista, tomando nossa fala, nos silenciando e querendo ter razão sobre algo que você não sente que ajudará em alguma coisa. Por favor, não gastarei mais meu tempo tentando convencer alguém de que não tem o direito de tentar me convencer sobre algo que não sabe com a desculpa de " é minha opinião...". Fico esgotada emocionalmente com algumas "conversas" e toda essa energia poderia ser depositada para mim mesma, na minha luta diária, para quem realmente me sente ou precisa urgentemente da minha escuta, da minha companhia, do meu sorriso, de algumas palavras de força. Quer ajudar? ESCUTE, se toque, se veja, se descubra, vá direto ao ponto e converse com outros homens quando tiver oportunidade, interfira na conversa com os amigos, nas "piadas", nas injustiças, ao invés de querer me ensinar o que é feminismo e o que minhas irmãs devem ou não fazer para combater o machismo. Tenho o direito de ficar emocionada, chorar, ter raiva e pra mim isso não é sinal de fraqueza, isso não deslegitima ou desqualifica o que digo, isso é sinal de cansaço. Estou realmente muito cansada.
Seguimos.