sexta-feira, 3 de junho de 2016

Não tive

Está no leito
Quarto branco
Ouço lamento
Judiação maior não tem
Telenovelas de partos
Anestesiada
Sonolenta
Sozinha
Poesia espacial
Perturbação mental

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

samba

Se em toda imensa beleza há tristeza
Reconheço-a, vivo-a
Canto somente o que pulsa
Digo o que se pede
Respiro o agora
Calo-me diante do infinito do que sou
Hoje apenas estou
no amor, na dor
no samba de quem me coroou

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Fazemos revolução

Presta atenção
Na tensão
Desagua tesão

Líquido efeito dos seus dedos
Em minha boca moram seus medos (?)
Na sua...... seios

Respiração
Repouso meu corpo sobre o seu
Fricção

A música que toca
Tá dentro, tá fora
Tá dentro, tá fora
Tá na multidão

Suspiramos
Mergulhamos
Na sala fazemos revolução

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Me podaram


Me podaram
Continuo com raízes profundas quebrando cimentos e invadindo ruas
Me podaram
Continuo flexível para não ser quebrada, embora envergue facilmente com ventanias pequenas
Me podaram
Continuo dando frutos, embora custem a surgir, são os mais doces!
Me podaram
Continuo crescendo em busca do sol para realizar minha fotossintese diária
Me podaram
Continuo bonita, embora muitos não se importem em respeitar e compreender minha beleza
Me podaram
Continuo soltando as folhas secas e permitindo que a terra as transformem em alimento para mim e para outros seres que me envoltam
Me podaram, e eu ?
Continuo árvore

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Certos tipos de "elogios" desconstrua já ou cale-se para sempre


Desde quando eu comecei o processo de assumir e me divertir com minha juba, a quantidade de olhares, perguntas e certos elogios se multiplicaram.
A parte mais legal de todas e que sempre me emociona é quando participo diretamente da transição capilar de meninas/mulheres, em especial das pretas. Não há nada mais gratificante pra mim, do que ver essas mulheres com outro brilho nos olhos, se amando mais, se sentindo preta, poderosa e linda. Mas entre os "elogios" que recebo já escutei algumas vezes por pessoas desconhecidas, semi-conhecidas e conhecidas que em MIM combina esse cabelo porque meu cacho é mais solto, ou pior, que apesar de eu ter um bocão, ainda preservo traços finos no rosto por isso fica bem. Já disseram até que adoram meu black (??). Essas coisas todas não são elogios, são expressão de racismo! Não quero ocupar o lugar de exótica, não dessa maneira. É como se eu tivesse licença pra ter características de mulheres negras porque sou branca. Isso me dói bastante e fico muito triste em escutar esse tipo de coisa, não me sinto nem um pouco mais bonita. E se dói em mim que apesar de ter crescido na influência dos caboclos e guias da minha vó, por tocar maracatu, por ser muito bem vinda em lugares de resistência negra em geral, imagine na cabeça das meninas que não tiveram a chance ainda de construir sua auto-estima, de se ver bonita, de se ver negra. Sofro muito com o racismo, mas pelo simples fato de ter nascido com a pele branca, nunca irei saber o que é sofrer racismo. Se atentem nas brincadeiras e nesses "elogios" porque reconhecer meu lugar de privilégio foi fundamental para perceber como é sutil e delicada a construção do empoderamento das mulhereS que me cercam.

A era das rainhas, das leoas, das pretas multi-coloridas CHEGOU!

Nota de desabafo:

 Entre as milhares de possibilidades que um homem tem de combater o machismo achar que pode ter a prepotência de ensinar a uma de nós como DEVEMOS nos posicionar a partir da sua fala é carimbar seu selo de idiota arrogante. Sim, acredito nas boas intenções, na ingenuidade, na falta de senso em saber que não falamos do mesmo lugar, na própria falta de conhecimento e vivência, no não praticar o exercício de se reconhecer como privilegiado (querendo ou não), enfim... entendam de uma vez por todas: TOD@S NÓS podemos lutar contra qualquer tipo de opressão, mas não é se colando como protagonista, tomando nossa fala, nos silenciando e querendo ter razão sobre algo que você não sente que ajudará em alguma coisa. Por favor, não gastarei mais meu tempo tentando convencer alguém de que não tem o direito de tentar me convencer sobre algo que não sabe com a desculpa de " é minha opinião...". Fico esgotada emocionalmente com algumas "conversas" e toda essa energia poderia ser depositada para mim mesma, na minha luta diária, para quem realmente me sente ou precisa urgentemente da minha escuta, da minha companhia, do meu sorriso, de algumas palavras de força. Quer ajudar? ESCUTE, se toque, se veja, se descubra, vá direto ao ponto e converse com outros homens quando tiver oportunidade, interfira na conversa com os amigos, nas "piadas", nas injustiças, ao invés de querer me ensinar o que é feminismo e o que minhas irmãs devem ou não fazer para combater o machismo. Tenho o direito de ficar emocionada, chorar, ter raiva e pra mim isso não é sinal de fraqueza, isso não deslegitima ou desqualifica o que digo, isso é sinal de cansaço. Estou realmente muito cansada.
Seguimos.

"Tava só esperando ele meter a mão nela pra chegar lá"


Estava perto do farol da barra ontem a noite, por volta das 20:30 e escutei uns gritos de mulher, de primeira achei que fosse no mar, já que é comum as pessoas ficarem por lá brincando. Depois continuei escutando e identifiquei "você tá me machucando", fui na janela novamente e lá estava um homem alto e aparentemente "forte" segurando uma mulher mais magra e menor que ele pelo pulso e braço. Meus olhos não acreditaram naquilo, dei um grito da janela " ô rapaz ", mas não foi o suficiente para mais de meia duzia de outros homens que estavam dividindo a mesma calçada da cena e os que estavam de passagem, se manifestarem. Desci imediatamente para intervir e ajudar a mulher que estava chorando inclusive. Cheguei perto e disse " Largue ela agora! " Ele virou me pegou pelos braços muito forte e disse que eu era uma estranha e que não entendia o que estava acontecendo. Eu olhei nos olhos dele, mesmo ele desviando o olhar, e mandei ele me soltar. Ele frouxou as mãos mas continuou tentando me explicar que ela era namorada dele e que sempre fazia isso, me empurrando...Eu disse que não importava o motivo e que ele ia deixar ela ir pra casa pra depois conversarem. Claro que naquele momento eu fiquei com vontade de dá um murro na cara dele, mas tentei ser o mais inteligente possível, mesmo porque eu não sabia do que era capaz o sujeito, mas já nesse momento meu companheiro e outro homem estavam intervindo. A menina agredida continuou chorando e eu fui atrás dela para tentar de alguma forma assistência-la. Me disse que havia batido a cabeça, que ele a deixou sozinha por meia hora e que agora tava querendo que ela acreditasse em alguma coisa, não entendi direito a história, mas não podia segurá-la. Apenas disse pra ela tentar se acalmar e ir pra casa, não deu tempo nem de oferecer um táxi porque enquanto ela corria pra outra direção, dois policiais chegaram altamente despreparados puxando arma(símbolo máximo da IMPOTÊNCIA militar) na minha e na frente de todos que estavam por perto, colocando nossa segurança em risco. Então fui me afastando e perdi a moça de vista. Saí esbravejando que precisava eu sozinha descer e separar o cara da menina, que o que eles acreditam ser masculinidade não existe e não serve para absolutamente NADA! Fiquei observando de longe e logo depois que o cara falou algumas palavras eles o liberaram e nem foram atrás da vítima confirmar ou assistência-la, ainda que minimamente, era obrigação deles!!!! Acredito que esse "casal" estava acompanhado de alguns amigos que apareceram depois, mas até o homem que tentou ajudar quando eu intervi disse: "tava só esperando ele meter a mão nela pra chegar lá". COMO ASSIM? Eu entendo as mulheres terem medo de se posicionarem em uma cena como essa, mesmo porque somos ensinadas e coagidas a acreditar que somos fracas e frágeis, mas vários homens juntos não se importam nem pra dizer "ô cara, relaxa.." e só ajudam quando aparece um roxo no olho, uma costela fraturada, é isso? O resto todo não é violência? É tranquilo ainda né, afinal, em briga de marido e mulher não se mete a colher. Eu tenho nojo do homem que agrediu a menina, assim como tenho nojo de todos aqueles que não mexeram e nunca mexem um dedo para diminuir a estatística de violência contra mulher no Brasil. Se não há lugares seguros nem pra gente transitar sem sermos assediadas e ameaçadas por estes homens, se não há lugar seguro para nós, mulheres, não haverá lugar seguro para vocês nos violentarem mais também!! Vou me meter, iremos nos meter, porque o problema é NOSSO. Não tenho medo de homem impotente!! Sempre tento ser estrategista e pacifica nos meus dias, nas inúmeras conversas que tenho com os que acham que estão me elogiando na rua, simplesmente não abaixo mais minha cabeça. Não abaixem a cabeça de vocês também! Não me peçam pra ter cuidado, nem me ofereçam méritos, fiz o que tinha que ser feito, o mínimo. Prefiro sair apanhada do que deixar uma irmã ser violentada na minha frente e não fazer nada.
Seguimos.