Goza junto comigo olhando no meu olho
Respira alto seu desejo sem medo
Arrepia do cóccxi até o pescoço
Arranha, aperta, desmorona
O dia raiou no acalanto úmido
que te deixei fazer morada
Bom dia
Logo vem uma outra madrugada
sábado, 24 de março de 2018
quarta-feira, 21 de março de 2018
Fome
No final das contas ele só queria me comer
mas eu comi ele primeiro
com os olhos
com a boca
com a alma
com o mar
pedaço por pedaço
lambuzei-me
repeti
chupei até os ossos
repeti
não sobrou nada
sem indigestão
(Março, 2016)
mas eu comi ele primeiro
com os olhos
com a boca
com a alma
com o mar
pedaço por pedaço
lambuzei-me
repeti
chupei até os ossos
repeti
não sobrou nada
sem indigestão
(Março, 2016)
Vila dos Confins
Na Vila dos Confins
Ilustro o bixo que me mordeu
Maria das Dores
Senhora do mundo
Iaiá despachada se interessara
por uma jóia de moço
Corpo pesado nas suas costas
Olhos morgados
de luz incandescente
Fumaça de cores
Na margem do rio urucunã
a chuvinha caia mansa
Impossível fixa-se numa idéia só
Vinha a suave sensação de leveza
Se afobe não
Tem certas coisas que a gente
tem que explicar com fraqueza
e sem tapear
Ilustro o bixo que me mordeu
Maria das Dores
Senhora do mundo
Iaiá despachada se interessara
por uma jóia de moço
Corpo pesado nas suas costas
Olhos morgados
de luz incandescente
Fumaça de cores
Na margem do rio urucunã
a chuvinha caia mansa
Impossível fixa-se numa idéia só
Vinha a suave sensação de leveza
Se afobe não
Tem certas coisas que a gente
tem que explicar com fraqueza
e sem tapear
(Setembro, 2016)
quinta-feira, 1 de março de 2018
Semente do Maracatu
No meu peito
Brotou antiga poesia
Transformou formas de viver
Semente do maracatu
Navegou
Germinou
No seio das mais velhas
Alimentou nações
Gente que não dorme
O couro ecoou
Leite divino derramou
Na cara dos caretas
Cena nova ei de cantar
Brotou antiga poesia
Transformou formas de viver
Semente do maracatu
Navegou
Germinou
No seio das mais velhas
Alimentou nações
Gente que não dorme
O couro ecoou
Leite divino derramou
Na cara dos caretas
Cena nova ei de cantar
Mulher Caranguejo
Entre as marés e o lixo dos homens
Procura suas raízes aéreas
Respira na superfície galáctica
Absorve o impacto das ondas maiores
Impede que o solo se esvaia sobre os
próprios pés
Amontoado de um corpo só
Erosão
De onde nasce os menores
Alimento da prece
Procura suas raízes aéreas
Respira na superfície galáctica
Absorve o impacto das ondas maiores
Impede que o solo se esvaia sobre os
próprios pés
Amontoado de um corpo só
Erosão
De onde nasce os menores
Alimento da prece
Ádila
Versinho de agradecimento:
Minha princesa,
Você tem cor de rio
Cabelo macio
Coroa dourada
Armadura decorada de flor
Ervas amigas colhidas
Fumaça que limpa traquila
Umbigada que resiste
Caminhos
Carinhos
Nos
corações
Por onde passa
Arrasta
Rasga
Malícia pequena
Burburinho de desamor
Não tem vez
Não tem caô
Minha princesa,
Você tem cor de rio
Cabelo macio
Coroa dourada
Armadura decorada de flor
Ervas amigas colhidas
Fumaça que limpa traquila
Umbigada que resiste
Caminhos
Carinhos
Nos
corações
Por onde passa
Arrasta
Rasga
Malícia pequena
Burburinho de desamor
Não tem vez
Não tem caô
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Golpes
Ando cansada
De tanto sangue derramado
Dos nossos corpos por aí estirados
Dos inúmeros corações dilacerados
Ando cansada
Dos meus irmãos lotando as cadeias
Dos que não fazem nada de mãos tão cheias
Ando cansada
Da sua piada racista
Do seu discurso fascista
Ando cansada
Meus santos não são respeitados
Minhas ancestrais deixadas de lado
Ando cansada
Da culpa ser minha, dela e da vizinha
Da roupa, da festa ou por estar sozinha
Ando cansada
De tantos golpes
Minhas lágrimas não serão em vão
Que acalme, que lave toda essa podridão
Ando cansada,
mas nunca estive tão FORTE
[15 de julho, 2017]
De tanto sangue derramado
Dos nossos corpos por aí estirados
Dos inúmeros corações dilacerados
Ando cansada
Dos meus irmãos lotando as cadeias
Dos que não fazem nada de mãos tão cheias
Ando cansada
Da sua piada racista
Do seu discurso fascista
Ando cansada
Meus santos não são respeitados
Minhas ancestrais deixadas de lado
Ando cansada
Da culpa ser minha, dela e da vizinha
Da roupa, da festa ou por estar sozinha
Ando cansada
De tantos golpes
Minhas lágrimas não serão em vão
Que acalme, que lave toda essa podridão
Ando cansada,
mas nunca estive tão FORTE
[15 de julho, 2017]
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