quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A liberdade da ilusão

Construí uma gaiola para mim
Essa gaiola tinha vista para o mar e flutuava no céu
Por muitas vezes pensei em estar solta
Tocava o vento com meus dedos e sentia seu cheiro limpo no rosto
Me irritava quando queria ficar acordada e a noite vinha
Me irritava quando dormindo queria estar e o Sol nascia
Que contradição a minha
Nem sempre poderia ter o que queria
Dentro da minha gaiola, por muitas vezes, me sentia segura
Muitas vezes acolhida
Porém, às vezes, queria sair dela para ver se acolhida ficaria sem as grades ao meu redor
Eram tão fininhas, tão sutis as grades e mesmo assim, com essa tamanha fragilidade,
me fazia sentir no meu lugar
Ahh...mas tinha dias! QUE DIAS!
Dias de SAIR e eu não saía
Não sei se não saía por que não podia ou não queria
Acho que não saía por que a sensação de não parecer presa estando presa era a que nunca fazia com que essa grade se extinguisse do meu corpo
Eu tinha contato com o fora, com o dentro,vez ou outra prendia alguém na minha gaiola, sem querer, e no final algumas pessoas ficavam presas ao que eu havia criado e não a mim
E eu quero prender você em mim por algum tempo
E assim... talvez assim, você possa abrir a porta do meu mundo fechado de liberdade

Um comentário:

  1. Sempre resta pouco oxigênio dentro de uma prisão, e é preciso mais, muito mais.

    Eu sei pouco sobre gaiolas, sei mais sobre bolhas de sabão, sei como são por dentro. Sâo mais finas que suas grades, quase invisíveis minhas bolhas, mas estão lá, eu estou aqui, de dentro.

    Você já viu uma bolha de sabão perto de explodir? Aquela mancha de arco-íris que dança na superfície se torna negra, escura, por fim a bolha já é quase tranparente, invisível então e desaparece.
    Gotas de sabão nos meu olhos.

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